quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TEXTO 19 ANTISEMITISMO? “Opiniões antisemitas, ou, genericamente, opiniões preconceituosas, tendem a minimizar o problema, pois é como se as opiniões equivalessem a gostos e todas pudessem ser, “democraticamente”, aceitas. Tomar o preconceito como opinião é torná-lo inofensivo, pois, “gostos, cores, opiniões não se discutem”. (Jean Paul Sartre, “A Questão Judía”) Em 1946, Jean Paul Sartre publicava “A Questão Judía”, apontando para o perigo em tomar-se o antissemitismo como uma opinião. Esse é o caminho que permite, sob alegação da “liberdade de expressão”, a legitimação do preconceito. O antissemitismo é um fenômeno político-social. Freud pode ser lembrado, no seu texto “Psicologia das Massas”, quando pondera que, como membro de uma massa, o indivíduo perde a sua personalidade consciente, sufocada pelo inconsciente, tornando-se crédulo, facilmente influenciável e acrítico. Completando-se a análise: a massa não procura verdade, sujeitando-se ao pode mágico das palavras, sedenta de ilusões. As massas desejam ser conduzidas. O antissemitismo alemão, no Segundo Reich, e sob Hitler, deve ser entendido assim, como comportamento de uma massa desesperançada e atraída pela ilusão de uma vida materialmente segura e que aceita ser conduzida por uma palavra que se expressou através de vocábulos, de sons, de cores, de estandartes, de apelo a um hipotético passado de glórias medievais resgatadas aos sons de Wagner, da batida das botas de cano-alto, arrematando uniformes maravilhosos, e que marchavam a passo-de-ganso. O expressionismo irracional das tropas nazista provocou o Holocausto, que não foi esquecido, é sempre lembrado, descrito, e que permanece em grande parte desentendido. Como a História não se repete, o antissemitismo alemão foi fenômeno único, a ser entendido em seus limites de tempo e espaço, não cabendo comparações com pretéritas perseguições aos judeus. Existe o perigo de um renascer do nazismo? Nenhum! Pequenos grupos que se intitulam neonazistas, trajando-se de negro e cultuando a cruz gamada, vivem de fato o drama da violência urbana, fenômeno de escala mundial, cultores da violência pelo prazer sádico da violência, um problema de polícia, não um questionamento político. Nos tempos que estamos vivendo, o perigo imenso é outro: o que temos é uma sociedade, espalhada por todas as partes do mundo, massificada, exatamente nos termos identificados por Freud, acuada pelo medo ensinado por um marketing político que alimenta o pânico de cérebros vazios e substituídos pelo mundo de vontades inconscientes, orientas para o consumo extremo e que transformou mesmo as pessoas em produtos consumíveis. As massas estão sendo conduzidas novamente, mas estão vivendo novos tempos e novos espaços. ANTISEMIITISMO é um documentário extremamente competente, obra de um jornalista judeu, que merece ser visto, e não só por uma vez. Não nos mostra apenas uma bela fotografia, com excelentes tomadas. Ele segue um roteiro muito bem estudado, em todos os seus detalhes, com a sequência de depoimentos e de situações aparentemente opostas, mas que são coerentes e se completam. E o que fica mostrado e demonstrado? Existe nos Estados Unidos uma organização poderosa e rica, que se empenha em defender a tese de que não é possível esquecer e nem perdoar. Ela tem como mira e como apoio o Estado de Israel. Israel que renasceu a partir de 1948, na busca de uma solução digna para o povo vivido na Diáspora desde o ano 70 dC. E durante um bom tempo perguntou-se: o que será de Israel, depois que se tiver perdido a geração dos refugiados da guerra e que encontram a Terra Prometida? A resposta está sendo formulada agora, não mais por aquela Terra Prometida, mas pelo Estado ultradireitista de Israel. Israel, Estados Unidos, Departamento de Estado, Pentágono, esses fazem um todo, que tem por objetivo dominar o Oriente Médio, assegurando-se à Máfia do Petróleo o domínio do mercado produtor e consumidor, garantida a subserviência total dos povos árabes, à força de foguetes, aviões, bombardeios, assassinatos, fazendo-se tantas “primaveras árabes”, quantas vierem a ser necessárias. O Estado de Israel é peça-chave nesse controle da região, não é vassalo, é sócio dos Estados Unidos. Netanyahu, o homem que chefia esse Estado, viveu por muitos anos nos Estados Unidos. Graduado em Arquitetura e Mestre em Administração pelo M.I.T e por Harvard. Depois de formado, trabalhou numa empresa internacional de consultoria, a Consulting Group.. É figura de absoluta confiança da direita norte-americana. O documentário acompanha jovens que vivem em Israel, desinteressados de um passado que lhe parece remoto, mas que são conduzidos à Europa, para reviver o Holocausto. São convenientemente preparados, doutrinados, ensinados a ter medo de um mundo que não aceita os judeus. A visita é feita de forma assustadoramente violenta e de fato violenta esses jovens, tornando-os zumbis apavorados. Depois da visita a Auschwitz, completando-se a lavagem cerebral, eles choram copiosamente e assumem o ódio aos inimigos. São exatamente a massa descrita por Freud. Serão no devido momento soldados amados de sentimentos e de armas físicas, prontos a massacrar palestinos. Tudo isso tem a ver com o Brasil de hoje? Tem e muito. A propaganda massificadora promovida por uma imprensa corrompida ao máximo cria o medo, o terror, o inimigo comunista, o inimigo que quer empobrecer a todos, o partido político que diz lutar pelos operários. A fanatização, que transforma o povo em massa, essa é a grande arma das elites burguesas. E não se pode tolerar isso por medo. A retórica que fanatiza não é opinião a ser respeitada em nome da liberdade que ela extingue.

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