quinta-feira, 10 de março de 2016

11\03\2016 -texto

O PROER para os amigos do Príncipe O PROER - Programa de Estímulo à Reestruturação e Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, criado por FHC, foi um divisor de águas: o antes, com um sistema financeiro formado por bancos familiares e de raízes regionais; e o depois, com a grande concentração que depois de ajustes e reajustes conduziu aos tempos atuais, do Bradesco e do Itau. Foi antes de tudo, todavia, o grande uso dos dinheiros públicos em benefício dos banqueiros amigos do Príncipe, de forma ampla e sistemática defensores do mundo anti-democrático da casa grande & senzala. O PROER consumiu, segundo a CEPAL, R$ 111,3 bilhões. Durante a Ditadura, os banqueiros usufruiram de maneira ilimitada da liberdade de usos e costumes, permitidos pela censura e pela violência policial. Depois de 1985, favorecidos pela inflação que chegaria às beiras da hiperinflação, especularam, desfizeram-se de qualquer pudor, mesmo o mercantil e tornaram-se temerários, um comportamento criminoso que acabou adotado por vários dos grandes bancos. Todo o sistema financeiro foi afetado e o PROER, longe de punir os aventureiros, propôs a eles uma notavel tábua de salvação, o PROER. Os bancos que não tinham salvação entraram em liquidação extrajudicial. Outros, com ativos como agências e clientes, foram vendidos. Aqueles liquidados foram divididos em dois pacotes, a parte "boa"era vendida, para que continjuasse a operar, enquanto a parte "podre" era assumida pelo Governo. Na época, sete instituições tiveram acesso às linhas de financiamento do programa: Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul. Vinte anos depois do lançamento do Proer, dois dos sete bancos privados que receberam uma forte injeção de recursos públicos para não falirem e sofreram intervenção do Banco Central ainda têm uma dívida de R$24,1 bilhões com o governo federal. A família Magalhães Pinto foi, até o início dos anos 90, uma das mais ricas e poderosas do Brasil. Seu banco, o Nacional, era um dos maiores do país, com 1,2 milhão de clientes, quase 400 agências (incluindo pontos em Nova York e Miami) e mais de 40 000 funcionários. O patrocínio de Ayrton Senna deu ao Nacional um tmanho gigantesco. Pequenos e médios corretistas foram afetados com a bancarrota. Mas não os Magalhães Pinto. Por conta do grande número de viagens internacionais dos ex-controladores do Banco, a 1.ª Vara da Justiça Federal do Rio, onde foram julgados os processos criminais, teve de abrir um volume extra para registrar os pedidos de autorização de viagem. Desde novembro de 1996, os irmãos Magalhães Pinto e outros 14 ex-diretores do banco já encheram 500 páginas do volume. A vida nababescamente confortável da família a colocou nas colunas sociais do Rio de Janeiro, com as suas festas e exibição cinematográfica de luxo e riqueza. Os Magalhães Pinto – e toda a diretoria do Nacional – foram condenados em primeira instância pela Justiça Federal do Rio em fevereiro de 2002. Os filhos do fundador, com exceção de Ana Lúcia Magalhães Pinto, e mais um grupo de sete ex-executivos foram considerados culpados por formação de quadrilha e crime de colarinho-branco. Graças à constante interposição de recursos, evitaram a prisão. Em 2010 as condenações foram confirmadas. Os presos foram libertados, depois de terem sido presos pela Polícia Federal. Como último capítulo dessa novela escabrosa, os Magalhães Pinto imaginaram vender o que lhes restou no Banco Nacional a André Esteves, outro notável especulador financeiro, que teve como sócio o honorável Persio Arida, o antigo presidente do BNDES sob FHC, mas que foi preso, por obstar investigações da Polícia Federal na Operação Lava-Jato. André Esteves, beneficiado por medida do ministro Teori Zavascki, passou a cumprir pena em prisão domiciliar. O Banco Econômico pertencia ao baiano Angelo Calmon de Sá, que foi ministro de Geysel e de FHC. Foi ele o responsável pelo escândalo maior, dentro do imenso escândalo que foi o PROER. Os interventores do Banco Central encontraram em cofre de Calmon de Sá, na sua sala, na avenida Rio Branco, a relação dos políticos que receberam contribuições ilegais do Econômico nas eleições de 1990, o que ficou conhecido como escândalo da Pasta Rosa, em alusão à cor da pasta que continha documentos apreendidos no Econômico pelos interventores do Banco Central, no âmbito do Proer. Todos sabem do comprometimento de FHC com as manobras criminosas de Calmon de Sá. A crise da Pasta Rosa ficou tão grande que o poderoso Antônio Carlos Magalhães, o ACM, que comandava o PFL – principal partido da base aliada do PSDB no governo federal – ameaçou romper com o governo caso o Econômico não fosse ajudado. FHC estava totalmente comprometido, como consta no seu próprio diário, publicado mais recentemente pela Companhia das Letras: "A história da Pasta Rosa continua. O Serra na TV Manchete diz que quer que se revele o conteúdo dela. Parece que hoje pediu ao procurador para mostrar a sua parte, que é não é nada. Tudo isso gera ruído. O Antônio Carlos disparou contra o Loyola pela televisão, diz também que tem documentos que comprovam que Loyola recebeu dinheiro de consultorias [antes de ser presidente do BC], como se o Loyola fosse culpado.” Absolvido em 1ª instância pela Justiça Federal da Bahia, Calmon de Sá foi condenado em 2007 a 12 anos de prisão, que jamais cumpriu, acumulando recursos e a boa-vontade judicial. Calmon de Sá manteve sua boa vida, desfrutada num apartamento em Nova York, numa casa de veraneio na Ilha de Itaparica, na mansão e na lancha que tem em Salvador. Finalmente, e só em março de 2016 foi condenado. Recorrerá da decisão, enquanto passeia pelas colunas sociais de Salvador. Nunca foi incomodado pela Polícia Federal. A falência pura e simples do Banco Econômico, nao fosse o PROER, atingiria alguns milhões de clientes, entre eles a REDE GLOBO e boa parte de suas grandes estrelas. A reconstituição da história do PROER exemplifica de maneira notável o mecanismo de corrupção, praticada em alta escala, e envolvendo todos os escalões do Governo, contado com a colaboração da Justiça Federal. Magalhães Pinto e Ângelo Calmon de Sá foram notáveis da Ditadura brasileira. Sobreviveram ao fim dos anos de chumbo, prosseguindo na sua sanha, em busca de riqueza e hostentação. Em nenhum momento foram objeto de rejeição pelas elites puritanas, que hoje clamam por HONESTIDADE.

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