sexta-feira, 20 de janeiro de 2017


  • Correio do Brasil, 21\01\17
    remoções forçadas, contágios provocados por doenças infecto-contagiosas, prisões,
    torturas e tentativas de extermínio. São mais de 8.500 mortos que permanecem sem
    direito a identidade pessoal e política, como se fossem pessoas de segunda categoria
    ou nem isso. É preciso ficar claro de que não são 434 vítimas, mas 8.934 ou mais.
    Todos têm nome, todos morreram por uma causa. Que causa defendiam os 8.500
    nomes esquecidos?”, questionou Maiká que, junto com seu pai, Egydio Schwade,
    realizou um vasto trabalho de pesquisa de violações nas décadas de 70 e 80 contra o
    povo Waimiri-Atroari, no Amazonas.
    A maioria dos mortos está entre os Cinta-Largas. Estima-se que mais de 5.000 deles
    morreu, envenenado por alimentos misturados a arsênico, brinquedos contaminados
    com vírus de gripe, sarampo e varíola, jogados por aviões, assassinatos em
    emboscadas, em aldeias que eram explodidas por pistoleiros.
    Muitas dessas violações de direitos humanos sofridas pelo povo Cinta Larga foram
    cometidas com a conivência do governo federal, por meio do SPI (Serviço de Proteção
    ao Índio), e depois da Funai, o que permitiu a atuação de seringalistas, empresas de
    mineração, madeireiros e garimpeiros na busca de ouro, cassiterita e diamante , omitindo-se a tomar providências diante dos diversos
    massacres que ocorreram na área indígena.
    A perspectiva etnocêntrica e assimilacionista vigorou na tradição do direito até 1988
    quando, devido à luta do movimento indígena e de amplos setores da sociedade civil,
    em meio ao processo de redemocratização do país, foi sancionado na nova
    Constituição o princípio da diversidade cultural como valor a ser respeitado e
    promovido, superando-se definitivamente o paradigma da assimilação e a figura da Justiça poderia ser perdoado e esquecido?

  • Entre 1964 e 1985 8.350 indígenas foram mortos em massacres, esbulhos de terras,
  • somente
    para a elite, a classe rica, políticos poderoso e os agentes dos governos. Os povos
    indígenas foram expulsos e dispersados. O Estado-Nação brasileiro doou e vendeu as
    terras indígenas: isso é uma imensa dívida histórica com os povos indígenas no Mato
    Grosso do Sul”.
    Entre as figuras abjetas, a de Jucá, o senador tão próximo a Michel
    Temer. Jucá presidiu a FUNAI, processado pelo STJ, por ter autorizado ilegalmente a
    extração de madeira em territórios indígenas. Enquanto presidente da FUNAI, Jucá foi
    quem mais demarcou territórios indígenas ianomâmis, frequentemente reduzindo seus
    tamanhos. Jucá reduziu o tamanho do Parque Yanomami para quase 75% dos 9,4
    milhões de hectares que haviam sido aprovados pela própria FUNAI em 1985. Foi
    ainda durante sua presidência que todos os missionários e pessoal médico foram
    expulsos da área em 1987. O projeto propunha reduzir a área do parque em 2,4 milhões
    de hectares e dividi-lo em 19 áreas isoladas, baseadas em grupos de comunidades
    Yanomami. O restante da área se tornaria "parques nacionais" - abertos para extração
    de madeira e mineração. O plano foi denunciado como "genocídio".
    A Presidenta Dilma Rousseff jamais cometeria os crimes praticados por Jucá. Porém
    se omitiu, jamais acusando o trabalho de sangue dos jagunços a soldo de
    madereiros, dos garimpeiros e dos "ruralistas", permitiu-se em seu governo ter no Ministério da
    Agricultura uma política recrutada as hostes dos senhores da agroindústria.
Sob a égide de um governo tíbio, o Congresso Nacional pretende assumir a tarefa de
demarcação das terras indígenas, o que em termos práticos significa entrega-las aos
ruralistas comandados pela ministra Katia Abreu. Nos últimos meses, a ação de
pistoleiros vai se multiplicando, animada pela fraqueza de um Ministério de Justiça
omisso. Os abusos vão tomando todas as formas possíveis. Recentemente, a Agência
Nacional de Petróleo lança pré-edital de licitação para exploração de petróleo em sete
blocos próximos de 15 terras indígenas, sem qualquer consulta prévia à FUNAI.
Avá Uerá Arandú é um dos líderes do povo Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul.
Doutorando em Antropologia no Museu Nacional da UFRJ, ele tem a voz que fica muito
acima dos grunhidos dos matadores, que não são gente simples e nem mesmo
jagunços. São pessoas ricas, recrutadas pelas organizações ruralistas e por políticos

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