sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

que agridem com palavras nicas um ex-ministro. Gente habituada a trabalhar com
vários RGs, papéis falsos, gente como os que fazem a máfia do Mercadão e da rua
Florêncio de Abreu, frequentadores dominicais do Clube Paulistano, onde a pureza
branca somente existe no uniforme das babás que servem às crianças e,
eventualmente, também aos pais. Um tipo de desonestidade que veio crescendo,
inaugurou-se aos tempos de Brasília, fortaleceu-se na ditadura e ganhou maioridade
com os oito anos de FHC.
OS PRENÚNICIOS DE UM FASCISMO ATERRADOR
As manifestações de intolerância que vão se fazendo corriqueiras, especialmente em
São Paulo, fazem o prenúncio de um neofascismo aterrador. Onde estão as causas
disso? Obviamente uma grande causa: o horror que a imagem de Lula provoca em
determinados segmentos da população. Demais genérica, e mesmo que verdadeira, a
explicação não satisfaz. Vamos em busca de uma apreensão mais ampla do fenômeno?
Primeira situação favorável à radicalização: temos no Brasil um quadro dividido entre
dois partidos (e que, no correr do tempo, se corromperam): o PT, nascido um partido
“obreiro”, interessado em defender salários melhores para os operários e condições
dignas de vida, e que se tornou um grêmio populista ao defender a integração social
dos pobres e miseráveis; e o PSDB, que surgiu como protesto à corrupção do velho
PMDB, chegando ao poder e tornando-se a representação do neoliberalismo que trazia
a ‘globalização modernizadora’ para o Brasil. A proposta do PT adequa-se à prática
democrática de eleições livres, enquanto a do PSDB é um convite à rejeição nas urnas.
Comprovada essa rejeição, o partido das elites encontrou, como filão a ser explorado
eleitoralmente, as acusações de corrupção desenfreada dos adversários.
Certamente, o medo que inspira a figura do ‘Metalúrgico de 9 Dedos’, mais a corrupção
apontada em vários momentos e lugares, elas duas comovem as classes médias mais
tradicionais, moralistas e medrosas, que se fazem o bolsão eleitoral de homens como
Geraldo Alckmin e Jose Serra. Mas não foram eles os que fizeram as arruaças de 2013,
nem as passeatas de 15 de março, na avenida Paulista. Gente extremamente
conservadora. Não podem conceber um operário chegando à Presidência. Não odeiam,
mas não respeitam o Lula. Acreditam que a Academia Brasileira de Letras representa
algo muito grande.
Os exaltados, que agridem quem use a cor vermelha nas suas roupas ou externe de
alguma forma suas preferências pelo PT, são recrutados em quantidade maior entre os
que foram e estão submetidos ao processo de formação de imbecis, promovido com
afinco pela ditadura e no que se empenharam ardentemente os meios de divulgação,
onde a televisão pontifica como a mais eficiente máquina de construção de idiotas.
Pesquisa feita com os participantes dos desfiles promovidos nas ruas de São Paulo
comprovou a sua completa ignorância, não política, confundindo alhos e bugalhos,
aceitando lorotas toscas que se espalham pelos cantos, agrupando aterrorizados pela
revista Veja, junto a eles ficando exibicionistas, fantasiados, mocinhas nuas e todo o
tipo de débeis mentais.
Essa gente não odeia o Lula, que não conhecem, nãos sabem quem é. Dedicam seu
ódio mortal a uma lenda criada pela Globo, com o mesmo ódio que um flamenguista
dedica a um vascaíno. Não são politicamente deformados, pois não chegam a ter
consciência política mínima. É um típico fenômeno de expressão de massas: irracional,
que nos remete, não ao texto de algum sociólogo, mas ao escrito por Freud sobre elas.
Menor, mais preocupante, capaz de voos mais extensos, não contente com os passeios
pelas ruas, aos gritos e xingamentos, uma classe média ascendente, a que aderiu
aos encantos da corrupção. o executivos de empresas privadas e gestores da coisa
pública, empresários de pequenos negócios e grandes negociatas, os que andam por
fora da ordem legal, os que não pagam impostos e nem salários dignos aos seus
empregados; profissionais liberais que prestam serviços sem recibo. Uma fauna
variada, que vai do empreendedor que explora o lenocínio de luxo em São Paulo, aos
Esse é o segmento que não tem medo, que pode comprar e compra a autoridade e
que é fanfarrão. Essas figuras desaparecerão na medida em que o segmento social
onde se instalaram seja reincorporado à ordem de uma sociedade ética. E por isso
mesmo, alimentam ódio mortal pelo PT, um ódio que nasceu junto com as primeiras
administrações petistas. De um gestor municipal ligado a Paulo Salim ouvia-se a
exclamação: “aquela vaca (Luiza Erundina) era 100% honesta”. São os gentis moços e
moças que dirigem automóveis cada vez maiores e mais altos e que estacionam, em
ato de autocrítica, nas vagas destinadas a deficientes.
Esses são os que não aceitam a ascensão da classe operária e a integração social dos
milhões que viviam à margem da sociedade. O “oportunismo” liga essa gente à típica
burguesia nacional, aquela que concebe o lucro exatamente como somente é possível
através de pequenas, médias e grandes espertezas, explorando seus funcionários,
comprando e vendendo sem nota, subornando e se deixando subornar.
A burguesia brasileira, passando muito rapidamente pelo capitalismo industrial, logo
tornou-se rentista, acomodada à entrega da indústria aos enormes grupos
multinacionais, negando-se ao risco e não tendo conseguido transformar o patrimônio
em capital. Ainda que por caminhos diferentes, são grupos sociais formados por gente
enamorada do próprio umbigo. O “lulismo” é, para eles, o desafio da igualdade social, a
defesa dos direitos dos assalariados, como se “essa gente” pudesse ter direitos. Estão
convencidos de que o Brasil não exporta e não fica rico por causa de um fantasma, o
“custo brasil”, causado pelos salários que são obrigados a pagar, os “direitos
trabalhistas” excessivos, com férias, descanso semanal. 13°salário, Fundo de Garantia

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