segunda-feira, 20 de março de 2017

Protestando
Gerivaldo Neiva
Enquanto crianças ainda morrem de fome, 
de morte morrida ou morta matada,
de balas perdidas ou achadas.
Enquanto adolescentes, para suportar a dor da vida que lhe foi imposta,
tornam-se dependentes de drogas.
Enquanto jovens pobres, negros e periféricos
são mortos por soldados também pobres, negros e periféricos.
Enquanto juízes encarceram delinquentes comuns
em penitenciárias fétidas e abarrotadas de lixo humano.
Enquanto sem terra e sem teto marcham e ocupam terras e prédios
que não cumprem a função social e, mesmo assim, a Constituição não lhes servem
e são despejados por mandados legais, mas despidos de Justiça.
Enquanto índios choram por sua terra e antepassados,
fazendo gemer cada galho e cada bicho da mata.
Enquanto gays são mortos por serem apenas gays,
 ou por pais que não suportam filhos gays,
ou por homofóbicos que não suportam qualquer gay.
Enquanto esses longos séculos de opressão e exclusão teimam em não ter fim...
Enquanto sangram os sonhos de tantos que morreram por pão, terra,
e liberdade;
Enquanto sangra o sonho do Estado Democrático de Direito, que assegura exatamente o direito de discordar, protestar e ser julgado com a proteção do contraditório, ampla defesa e devido processo legal;
Enquanto sangra a utopia de um mundo igual e solidário,
é hora de protestar.
Protestar contra todas as injustiças do mundo, contra todas as formas de exclusão, contra todos os preconceitos e contra todas as formas de exploração.
Protestar contra o arbítrio, o autoritarismo e defender sempre a liberdade e a democracia.
Jamais retroceder e revolucionar sempre.
Protestar e juntar-se aos excluídos e marginalizados por inclusão e abundância de pão, terra e liberdade.
 Protestar e sentir-se no lugar do outro, sentir sua fome e sua dor.
Protestar para que mesmo aqueles que tentam segurar o bonde da história também tenham o direito de protestar em vão, pois a história não tem freio e nem marcha ré.

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