quinta-feira, 29 de junho de 2017

29\06\2017

DISSIMULAÇÕES

Há anos li e guardei uma frase atribuída a Machado de Assis, cuja memória considero enxovalhada em vista dos almofadinhas  colocados na ABL.  Dizia: 'dissimulação é um dever quando a sinceridade é um perigo'... à parte a compreensão que se impõe no trato urbano de situações delicadas, encerra desculpa para falácias sem número.
 A que mais me atormenta a consciência é a da situação do Brasil - entre verdades e mentiras que povoam o conhecimento da sociedade. A mim parece que há mentores como mestres maçônicos, ou religiosos ou diabólicos que a tudo dominam e fazem para a  simulação máxima de enganação coletiva. Parecemos todos como quem não quer ser esclarecido sobre Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa. Ficamos como quem não só quer acreditar como tem ódio de quem o acorda de sua ilusão. Essa cisma vem desde o fatídico primeiro de abril de 1964. Quem adivinharia o que foi pactuado entre o mister Lincoln Gordon e os ultra medalhados  heroicos e intrépidos generais/marechais brasileiros,  e que gerou o regime de chumbo que representou a calamidade que vivemos até hoje?  A dissimulação que se seguiu todos sabemos. Começou por denominar de 'revolução' a capitulação cedida sem um grito sequer com que nossos heroicos defensores foram estuprados e perderam a pouca honra que proclamavam ter. Houve, a seguir, a apropriação de fatos contrários como desculpas 'a favor'. Vieram a público versões de que os EUA haviam mandado sua força chamada big brother para apoio aos 'puros fardados que queriam nos salvar do comunismo' ao invés de dizer que tal operação bélica tinha caráter intimidatório do tipo : DÁ OU DESCE... E que simplesmente descemos! 
Hoje podemos ver o desvendar desse segredo.  Deve ter sido o dia em que nosso país desceu ao vil inferno do opróbrio e aceitou usar em caráter definitivo as ora conhecidas tornozeleiras.   Passou a usar e a respeitar todo o regulamento de seu uso. 
Qual sentenciados da lava-jato, foi posto em seus redutos com piscinas e lareiras para conforto dos cansados fardados, mas sem direito de ter qualquer ato de vontade que não fosse previamente concedido pelo senhor das chaves e algemas colocadas. Foi concedida, nesse enredo, eleição para 'inglês ver' de fantoches controlados, desde Sarney's até FHC.  Num lapso de descuido, eis que o povo, ignorante das regras, elege LULA! Foi dose forte. Mas resolveram experimentar o veneno para sentir o gosto. Não gostaram, mas a conveniência de dissimular, mais uma vez fez com que suportassem a altivez do ingênuo que pensava ter voz e independência. Impondo-se ao colocar o país na regra da tornozeleira. Preparou a substituição da sua sucessora. Na eleição, a pífia figura do Néscio não vingou mesmo se promovendo ajuda de Marina e matando Dudu. Mas paciência é finita! O jeito foi quebrar as correntes legais que sustentavam Dilma. E isso custou barato. Com um  togado sob ordens da CIA/FBI, e preparação condigna de sabotador para iniciar destruição de empresas, levantaram a fumaça como indígenas convocam guerra em Hollywood e os probos do STF cronometraram sua ação para o golpe fulminante. Novo fantoche sob fala do ventríloquo Tio Sam voltou ao domínio. E como multa pelo desvio da 'era Lula' confiscaram o pré-sal além de impor duras penas aos arroubos de haver estudos de energia nuclear e outras, e para dissipar dúvidas prenderam o almirante Othon como se fosse um Mandela de turno. Nosso Brasil, que já foi chamado de país do futuro, de país do carnaval, de pátria de chuteiras, ora se põe como 'país de tornozeleiras'. Quem as inventou, afinal? 
É dúvida para os intelectuais que nada veem de nossa realidade e ficarem a pensar juntamente com os skafajestes da fiesp ,ou será atribuída a quem inventou a roda ou descobriu o fogo e todos confortavelmente enganados dormirão o sono dos puros?


por Maria Fernanda Arruda, escritora e ativista digital

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